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Há um equívoco profundo que separa o termo Sati no seu uso moderno da psicoterapia e seu uso tradicional budista. Nos suttas do Canon Pali a palavra refere-se ao ato de lembrar/trazer à mente, colocado no sentido de lembrar aquilo que for pertinente, enquanto que o papel de conhecer o momento presente é colocado sob o termo sampajañña, que atua em conjunto com Sati. Neste contexto a tradução de Sati como ‘Atenção plena’ é de uso equivocado, pois este se refere ao uso moderno da palavra e difere largamente de seu uso nos textos tradicionais budistas. Frequentemente o temo sati é usado implicando sati-sampajañña, ambos agindo em coordenação, o que justifica em parte a origem do equivo que de que sati, por si, é uma qualidade de atenção.[8]

Através de manter em mente o momento presente(sampajañña), trazendo à mente aquilo que for pertinente à situação(sati), a experiência do praticante é moldada não de acordo com suas tendências normais, mas de acordo com a prática do caminho óctuplo. Esta qualidade de Sati pode ser estabelecida nos quatro Satipatthana, ou “quatro quadros de referencia do que lembrar e manter em mente”. Entendendo o corpo como corpo, as sensações como sensaçoes, a mente como mente e os fenômenos como fenômenos. Assim o indivíduo não se deixa levar pelo seu conceito comum de corpo como individuo, mas sim ver o corpo como uma formação de elementos, a não ver as sensações como, por exemplo, emoções dentro de uma história emocional, mas como fenomenos de causa e efeito, surgindo e passando, etc.

Nos ensinamentos budistas tradicionais a qualidade de ‘atenção‘/’focar a mente em algo’ nunca é tratada como ‘plena’, mas separada em ‘atenção apropriada’ e atenção ‘imprópria’ (Yoniso manasikāra e ayoniso manasikāra), pois dar atenção a fatores corretos (aumentam as qualidades mentais positivas) e ignorar outros (que aumentem as corrupções e estresse da mente) é equivalente ao desenvolvimento do fator de sabedoria/discernimento (pañña) do caminho octuplo.[9] Assim a relação entre sati e atenção é lembrar ‘a que dar atenção’, como um meditador que deve lembrar-se constantemente de voltar ao seu objeto de meditação e evitar de dar atenção a distrações, e quando a mente se esquecer do processo e ir para outros assuntos, sati tem o papel de lembrar de voltar a atenção ao que é necessário. Uma atenção que fosse ‘plena’ dificilmente teria um papel útil contra distrações.

Sendo assim, uma ideia de que Sati seja “suspender temporariamente todos os conceitos, imagens, juízos de valor, interpretações, comentários mentais e opiniões”, difere vastamente do conceito original, que é sobre manter em mente os conceitos e juizos apropriados ao Nobre Caminho Óctuplo.